DREAM 239

Então, mais uma vez estive andando pelas ruas da cidade em busca de imóvel para vender, o que chamamos de captação. Desta vez estava no alto Santa Lúcia. Inicialmente com a presença do meu colega Ciro. Depois perambulei sozinho pelas ruas buscando as placas: Vende-se. Quase sempre ou geralmente faço uma foto do prédio com a placa para identificar o número da rua, o que depois me cria um problema, porque não me lembro mais em qual rua é aquela foto. Mas vamos lá. Av. Kepler, rua zodíaco, ruas lua, constelação e tantos outros cometas. Enjoado daquela situação e ao me distrair com uma limusine branca que passou por mim pela terceira vez, procurei algum bar para tomar uma cerveja. Aquilo parecia um sinal, o que compreenderia somente mais tarde. Sozinho, como sempre, não achei nada: mesa, ambiente, luz ou atmosfera que me agradassem, quando de repente, vi meu irmão M saindo de uma casa em obras. Afinal, ficaria sabendo da casa nova que, até então, me parecia um segredo. Gentilmente mas sem graça, convidou-me para entrar na obra, metade acabada, metade habitada. Lavavam um piso grande e espaçoso de ardósia, sem paredes que poderia ser uma garagem para 5 carros. Mas quem instala piso de ardósia hoje? Voltou a ser charmoso ou é novidade entre os designers? Passa. Dando voltas na rua Halley, exatamente naquela curva onde quase cria uma ilha fazendo um angulo de uns 270 graus, decidi cortar caminho por um lote aberto, também com uma obra. Era um pouco aclive, materiais de construção pelo chão, madeiras de formas, ferragem e entulho. Quando estava alcançando o meio do lote, percebi 2 cães pretos. Não pareciam ter me percebido ou serem perigosos, mas fez com que eu apertasse o passo e avançasse para o tapume na face da outra rua. Sem dificuldades saí do lote e cheguei a um ponto do bairro que não conhecia. Um amplo gramado plano com jardim me levava a uma casa baixa, onde havia indícios de uma festa em organização, ou melhor, em construção! Entrei por uma ampla porta de madeira com um grande salão. Ruídos de talheres, vozes, mas não via as pessoas ou os organizadores. No fundo do salão havia um pequeno palco, estante dessas de partitura, case de violão e uma caixa, tipo um “baguinho”. Virei quando percebi a entrada de alguém pela sala. Era a Rita. Ela passou por mim direto, na direção do violão, me dando somente um leve sorriso de comprimento. Tinha os cabelos presos somente pelo alto da cabeça, mas puxados para trás por um pegador metálico. Os cabelos não estavam longos, mas pouco acima dos ombros. Vestia uma bota de salto, alta e de bico quadrado, jeans levemente surrado e abaixo de um colete, um collant bem cavado de cor alaranjado forte. Por um momento achei que ela não me reconhecera, mas ao se sentar e pegar o violão, olhou pra mim e disse: “Foi você quem deixou um recado… lá em casa… ontem, não foi?” Congelei. Aquela pergunta, o sorriso mais aberto e o olhar que ela colocou em mim, me fizeram abrir os olhos: era um dos nossos primeiros encontros.

Mark Partana

Belo horizonte

Brasil

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